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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Inacabado

Prende os cabelos num coque.
Veste o suéter
Abre o livro e o artigo
Começa a lê-los sem muita concentração
Coloca música clássica para tocar.

Esquece tudo e sai da sala
Busca um chá
Carrega-o entre as mãos para enquentá-las

Está um dia ensolarado e quente
mas ainda assim ele veste o suéter.
Sente-se como em outros tempos
Nostalgia.
Lembrança

E o livro segue aberto
O artigo segue aberto
e o poema...
Inacabado.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Quando danço.

Eu me escondo entre turbantes
entre cachos, palavras e cabides
entre passos e abraços

Eu me escondo nas coisas que gosto
nas roupas que visto
nas músicas que escuto
nas coisas que escrevo

Me escondo entre as pessoas todos os dias
Numa cidade imensa
poluída por fumaça e sonhos
Passo
sem ser percebida

Contudo, as vezes me exponho
me mostro a mim
Eu não me escondo quando danço.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Tudo que eu queria dizer sobre hoje e não disse.

Faz tempo que algo não vem do fundo.

Faz tempo que não despejo tudo que quero dizer sem edições
sem pensar no depois.

Faz tempo que não tomo um vento na cara... deve fazer um tempo que não vivo também.

Faz tempo que não durmo a sono solto, sem me preocupar com horários ou obrigações... faz tempo que o sol não me acorda, e quando isso acontece, não dou mais "bom dia para o senhor, seu dia" como quando eu era criança...

Meu melhor amigo diz que faz tempo que não sorrio como antes.
Como quando estudávamos juntos, como quando eu, entre cigarros, deitada na grama, escrevia qualquer coisa banal sobre qualquer sentimento confuso.
Hoje eu nem fumo mais, e esses sentimentos parecem tão menos importante agora.

Faz tempo que tenho deixado sonhos de lado e a esperança (que vivia de pé) levemente encostada num canto empoeirado do meu quarto.

Faz tempo também que não vivo
Faz tempo que apenas sobrevivo.
Faz tempo que ta tudo pesado e superficial.
Faz tempo que ando me censurando ao ficar calada...

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Pouco

As vezes o que precisamos é pouco.

Pouco amor
Poucas palavras, que são suficientes para alegar ou destruir uma vida inteira.

Um pouco de olhar,
um pouco de atenção
Um pouco de silêncio num abraço.

O muito, eu sei, nos transborda
Mas as vezes o pouco nos basta.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Quando você chegou...

Quando você chegou
Encontrou bagunça
e eu era outra... 

eu era transição, mudança e desespero
pedia ajuda.
clamava por coisas novas
Precisava sair do buraco que havia me enfiado

Quando você chegou eu estava louca, e era outra.

"Queria passar a noite contigo hoje"
Foi o que disse quando você chegou
afaguei seus cachos
acariciei sua barba 
e mordi seus lábios
E depois daquela noite nunca mais fui a mesma.
Não fui a mesma porque aquela não era mesmo eu.

E então você chegou
Quebrou todas as travas das portas e janelas
E se instalou aqui
Ocupou um lugar que, apesar de habitado, era meio morto, meio torto e vazio
Sem flor, sem vida, sem nada (nadinha)

Porque você chegou e viu em mim o que ninguém enxergava
Porque contigo sou mais eu.

E porque você chegou, estou melhor
como naquela música, lembra: 
"mas quando você vem eu fico melhor"

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Solidão sepulcral



Hoje ela não ligou a TV.
Ficou olhando para a tela
Desligada.
Muda.
Chorou calada.
Sem ver nada
E mesmo sozinha, não fez barulho algum

Sentiu a lágrima escorrer pelo rosto
O gosto amargo em sua boca
Era parte lágrima
Parte silêncio
Sepulcral.
Solidão.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Surto

foto por: Marina Maschietto



Inspira.
Agarra os cabelos
Treme.
Expira.
tira o cabelo dos olhos.
Não crê no que vê.

Se joga na bagunça.
Coloca Alceu.
Sai dançando pela casa e pela vida.

Agradece a todos os Deuses e Deusas, mas pelo que?
Agradece pela loucura, pelos sorrisos
e...

Pelo verão que lá vem chegando no trem da estação da luz...

domingo, 19 de outubro de 2014

Abstinência

Ele era minha inspiração
o melhor amigo
o alívio
a pausa
a sensação ilusória de paz

Ele era a resolução
Era a morte
O suicídio diário
A pressão baixa
A moleza no corpo
E a falta de ar ao correr

Era o cheiro de fumaça no meu cabelos
O vício.
Sem virtude e sem verso.

Ele impregnava em mim
e deixava seu cheiro
me prendia.
Sufocava.
Então eu o deixei...

Hoje isso tudo é falta.
Lembrança
Vontade
Saudade e...

Abstinência.

domingo, 12 de outubro de 2014

Das coisas que faltam e sobram

É falta.
Falta ar.
Falta fome
Falta presença.
E sobram lágrimas

E sobra também tudo que falta
Sobra amor demais
Sobra um pouco de sofrer
Sobra vida a ser vivida
E e todo o louco querer.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O Abraço dos encontros casuais

Dono de um abraço que é só dele
Que conforta sem dizer uma palavra
Por quem sou apaixonada

É capaz de aparecer quando preciso
Sem que eu se quer o invoque

Sempre entre encontros casuais
O abraço que conforta
O abraço que da forças
Que cura todos os males do mundo
Do meu mundo

Mundo esse que ele mal conhece
Que mal faz parte
E com esse abraço
Ele mal sabe o bem que me faz

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Segunda-feira

Bolo, refrigerante e aniversário.
Sustos, risadas, abraços e sorrisos
Tudo isso pela manhã.

Gritos do lado de fora do prédio
Orquestra do lado de fora da sala.
Samba nos fones
Biscoito de polvilho na boca
Água na garrafa.

Polêmica política como pauta
Silêncio.
Começou a reunião.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Partida

Uma vida aqui outra vida acolá.
Malas prontas, fotos, sorrisos
Vida que segue. 
Adeus.

Foi assim, 
num dia estava aqui
no outro já estava por lá
Partiu.
E mesmo me deixando partida
Deixou partes em mim.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sobre tudo que passa.



No fundo tudo sempre passa.
Passa por nós e não enxergamos.
Passa sem deixar rastros
Ou passa como um tufão.

Passam pessoas com suas vidas
Cheias de problemas, e vazias.
Passam pensamentos por mim
Sensações que correm em minhas veias
Mas, independente da forma ou intensidade.
Passa.

Por isso menina, pense bem
Se tudo passa
Hora ou outra
Você vai passar também.

domingo, 14 de setembro de 2014

Preguiça

Descabelada ela se afunda na cama
Com a alma prum lado
E a lembrança pro outro

Derrama o café
E todos os desejos no chão
Não levanta para limpar
Tampouco liga pra bagunça que fez
Está cansada demais para se preocupar

Deixa pra amanhã
Deixa pra depois
Deixa pra lá.


sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Entrelaça-se


Todo dia ele se deixa um pouco em mim
Quando chega a Sexta-feira ele me deixa.
Se arruma, faz a barba e se perfuma
Sai.
Se embriaga.
Dorme entre perfumes de outras mulheres
Entre pernas que não são minhas
Entrelaça-se.


sábado, 30 de agosto de 2014

Platonismo

É tristeza e melancolia
Distância e saudade.
Neuras, medos e inúmeras incertezas.
Paciência e compreensão.
Confiança, insegurança e Silêncio.

Desejo da presença a todo instante
Desilusão, solidão e dança
Barulho e promessas
Soluços, pensamentos
Falta de reciprocidade

Platonismo

quinta-feira, 10 de julho de 2014

A página, a aba e o livro


Mais uma página aberta.
Como uma das veias abertas da América Latina de Galeano
Me perguntando, questionando e desafiando
Querendo saber o que tenho a dizer

Mais uma aba,
uma porta e uma janela escancarada
Me dizendo pra ir em frente
enquanto sigo recuando para trás

Mais um livro e um café
Uma conversa, uma chuva e uns dias
Um filme, uma música e uma lembrança
Mais uma vida inteira num piscar de olhos.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Sobre o medo.

Eu tenho muito medo.
Medo de perder coisas, momentos, tempo,
Medo de perder tudo e de repente, não ter mais nada.
Medo de ficar sozinha e pavor de viver sempre acompanhada.
Eu tenho medo até da minha sombra.

Eu tenho medo de partir
medo de ficar
medo das lembranças mal resolvidas
Eu tenho medo de sentir demais
e de não sentir mais nada.


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Tempo e tempestade

Quantos livros eu comecei e não li?
Quantos filmes comecei a ver e dormi?
Novelas, tempestades, acontecimentos assisti.
De portas entreabertas escrevia minha história.

Quantas noites acordada passei
Quanta coisa eu comecei e não terminei...
Essas foram terminadas sozinhas.

O tempo se encarrega de colocar o ponto final das coisas as vezes.
Aquele pontinho que nos dá a dica do início, que nos faz recomeçar.
Aquele que muitas vezes não conseguimos colocar sozinhos.
Porém, basta uma piscadela, um empurrãozinho
e lá está ele. Dando o término das coisas.

Agora dorme menina, que o tempo de dançar já passou.
Dorme que a chuva chegou para velar teu sono e ser tua trilha sonora.
Dorme que o que tiver que passar, passa.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Outra opção

Nos submetemos
o caos.
Lamentando,
mas não tenho outra opção