sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

"deveria demorar mais pra chover..."

Trilha sonora: Pega a melodia e engole


Há dias não existe mais coisa alguma
Há dias choveu o dia inteiro, eu tive que secar.
Contudo, quão difícil é secar a chuva do chão da sala, do quarto e de todos os cômodos, quando eu mesma chovia?

Enquanto tentava secar todos os cantos, esperava na urgência dos ansiosos.
Ouvia Cícero com a facilidade de um leigo tentando andar por uma corda bamba, se equilibrando nas palavras e controlando as lembranças que inevitavelmente viriam à tona.

Lembrei do dezembro passado, dos dias de bailarina em véspera de ensaio, dos dias de espera e saudade, dos domingos enfeitados e de todas as coisas vividas pelas primeiras vezes.

No meio desse processo, um sorriso surge nos lábios e o sol no céu, esperançoso, como forma de ajudar a secar o que a chuva molhou.

Ela troca o som
Muda o tom
Veste a saia rodada
Prende a flor no cabelo

Observa o chão já semi seco e sai.
"Deixa que o sol seque o resto, e se ficarem algumas poças, resolvo isso depois, quando voltar (se voltar)"pensa.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Carta para um amor qualquer...

"eu sei que é complicado amar tão devagarinho
e eu também tenho tanto medo"

São 01h10 da manhã e eu estou aqui feito boba ouvindo Mallu Magalhães e pensando em todas as coisas que temos conversado e vivido juntos, você exatamente ai e eu aqui.

Sabe moreno do cabelo enroladinho, eu já te disse isso, que desde que você chegou na minha vida, pulando os muros, jogando molotov e gritando liberdade, tudo mudou.
Você com esse sorriso lindo, essas covinhas, esse jeito manso de falar e filosofar sobre a vida, me fez perceber coisas que eu havia me esquecido, uma delas é essa forma livre de amar alguém, sem amarras ou algemas, sem prender, sem cobrar, sem pedir ou implorar qualquer coisa. Amar de um jeito leve e lindo como o nosso, de um jeito estranho como o nosso.

"Fala pra ele que ele é um sonho bom, que mudou o tom da tua vida"

Pensei esses dias sobre as coisas que já escrevi pra ti e guardei, e as coisas que também joguei fora por não descrever o suficiente.

Uma dessas coisas, te enviei agorinha. Entre a dúvida se enviava ou não, existiu um "enter" que foi pressionado com olhos fechados e vontade de sumir.

É estranho como contigo eu tenho inúmeras dúvidas, medos e incertezas e não sei o que causa isso.

Você me diz "Eu estou tentando te amar e você não está deixando" e parafraseando a Mallu eu me pergunto "porque você faz assim comigo?"

Eu me (des)construo diariamente, tentando entender coias que eu sinto e eliminar todas as coisas que possam vir a atrapalhar a gente, ou qualquer coisa que venha a nos afastar.

Eu tenho lido muito sobre muitas coisas e não posso negar que a linda Simone de Beauvior tem me ajudado de forma incrível.

"Entra pra ver, mas tira os sapatos pra entrar, cuidado que eu mudei de lugar algumas certezas" 

E é assim que termino a minha noite, ouvindo Cícero e desejando que de onde você está, consiga juntar seus sonhos aos meus essa noite.

Obrigada por tudo, inclusive pelo molotov.
Te amo muito e te quero do meu ladinho pelo tempo que for... até o fim raiar

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Coração não é tão simples quanto pensa...

Trilha sonora (óbvia): Oração - A banda mais bonita da cidade

2015 nem acabou mas se tem uma coisa que eu aprendi esse ano foi:
Coração não é tão simples quanto pensa, é piegas e careta.

E que as vezes,
a gente repete incansavelmente as coisas, porque são tão difíceis de acreditar...
e que muitas vezes a gente reza, sozinho, e em segredo, até chegar alguém, te olhar nos olhos e resolver repetir aquilo junto com você, e quando você olha pro lado, tem mais pessoas passando por aquilo e que resolvem simplesmente cantar juntas essa oração.

As vezes eu queria morrer por amores menores, que não fossem tão piegas.
As vezes eu queria colocar esse coração num potinho, pra que parasse de arder quando bate por qualquer pouca atenção, por qualquer sorriso, olhar,voz doce ou cabelo colorido que vejo por ai.

Um dia me disseram, e nem faz tanto tempo assim, que eu era uma pessoa que vivia se apaixonando e desapaixonando, e talvez seja isso mesmo... o tempo todo, pequenas mortes... como naquela coreografia.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Renascimento

Sugestão de trilha sonora:


Há dias atrás murchei.
Enlouqueci, para talvez crescer.

Me prendi às coisas que achei não terem fim, esquecendo-me que a vida  cíclica.
e como poderia ter esquecido dessa lição tão simples que o universo manifesta em mim?
Eu, que renasço a cada mês, a cada lua e a cada estação me esquecer dos ciclos da vida?
Pois é, essa resistência às coisas que mudam me pegou novamente.

Contudo, a mente não parou
Continuou
Incessante
Impertinente
Insistente

Até que, ao chegar ao olho do furação, pude ver com clareza tudo que me assombrava e aos poucos fui desacelerando.
O furacão de pensamentos confusos e tristes foi terminando sua destruição e passando.
Agora?
Me vejo em cima dos escombros, olhando pra tudo que sobrou.

Ainda que não deva, me pergunto o que fazer com todas essas coisas que ficam depois do caos...
O que acontece com a placenta depois que saímos dela?


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Entre o estar e o sentir

As vezes o aleatório brinca com a gente.
A intenção era ouvir um  nos fones sobre um Carnaval chuvoso que nem começou quando... uma voz doce e meiga canta sobre tanta gente no mundo, sobre um mar azul iluminado pelo sol, a música se refere a alguém que também se sente tão sozinha quanto eu.

"talvez você só queira se esquecer, na beira do mar enfim
pois é, tanta gente no mundo
tanta gente e a gente aqui, tão só..."


E apesar desse toque da Ana, hoje, felizmente pude perceber o quanto não estou exatamente sozinha, tem um tanto de gente linda me segurando e me protegendo enquanto sinto que estou "caindo desesperadamente em mais um alçapão da vida" como disse há pouco um amigo...
Mas estar e se sentir são coisas tão distintas, não é mesmo?


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Calada

Um dia alguém me disse
amor é pra se sentir com cautela.
E apesar de tudo, agora entendo!
Sofria do mesmo mal que esse alguém...
O mal eram os impulsos incontroláveis
daqueles de fazer o que sente vontade
ignorar consequências
e coisas que vão fazer falta

Se quer saber,
esse impulso as vezes dói em mim também
Contudo, sou mais desapegada
Se a dor da falta em mim faz morada,
Eu a recebo,
deixo-a passar o tempo que quiser.
Desde que fique calada.




quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Dos rascunhos editados...

É incrível a sensação que as vezes  a vida me traz...

Enquanto escuto coisas que antes nem conhecia, meus dedos percorrem o teclado, fazendo as palavras tomarem seu próprio curso e sentido.

"e eu? sigo só... só me resta esperar"
esse pequeno fragmento de algo que não foi escrito por mim, me remete à tantas coisas que já se bagunçaram e tomaram tantas formas e cores diferentes.

Revisitar.
Reviver

Lembro de um dia ter me referido às músicas como as melhores máquinas do tempo já vistas... e realmente isso segue fazendo sentido pra mim.

Como se ao apertar o Play todo o presente se dissolvesse e eu visse, em névoa, o passado vivido a uns 3 ou quatro anos atrás.
Ahh Dindí, se você soubesse como as lembranças machucam as vezes
Não lembraria mais ninguém...

Sabe, hoje foi um dia daqueles...
O sol entrava por apenas uma janela do escritório, o ar condicionado ligado o dia inteiro, as vozes e todo aquele cenário monocromático, era tudo que eu menos queria para um dia que havia começado com um pouco de dor, náuseas e toda aquela novela que já conheço bem.
Eu me perguntava, porque tudo isso moça?
Mantenha a calma e não entre em pânico que logo tudo isso muda (de novo) agora levanta
e só, vai...

terça-feira, 20 de outubro de 2015

"A saudade que sinto, no coração, não cabe nesse mundo..."

Trilha sonora sugerida: https://www.youtube.com/watch?v=1CJ3ZYoPMKc

Tudo começou aqui...
E após tanto tempo, você resolve dizer que "sente saudade"

Meu bem,
com todas as idas e vindas, as reviravoltas e tudo que a gente sabe que já viveu, me vejo obrigada a parafresear Leo Fressato para te dizer que aprendi a veranizar, a não me importar se você não lembrar do meu aniversário outra vez.

Você foi bem estúpido ao tentar ignorar tudo que (supostamente) existia entre nós, e eu segui jogando esse jogo, e no fundo, ainda estamos apenas movendo as peças que restaram, para não perder o costume, ou a prática no jogo de sempre, que consiste em enviar longas mensagens e receber a resposta, ainda que meio torta.

Apesar da saudade que você diz sentir, eu bem sei que você jamais me acompanharia nos shows que eu gosto ou então nas coisas que eu gosto de fazer, ainda me pergunto o que nos prende ainda um ao outro já que somos tão diferentes? Eu sou uma imagem que você criou, como seus gostos, e eu apenas aderi a ela para estar por perto e ter assunto... até ser chamada de imatura, louca e você se afastar.

Meu bem, essa história já deveria ter terminado há muito tempo, quando eu fui embora e dessa vez foi você quem teve que vir atrás de mim... nós gostamos de protelar o fim, e se hoje você sente saudade, é de todas as malditas coisas não ditas, soterradas por lágrimas, noites viradas vendo os filmes que você gostava e lendo os livros que você lia, além claro, do meus sentimentos demais.

Você jamais aguentaria de verdade tudo isso por tanto tempo se eu tivesse me permitido agir como queria naquela época, é claro que você hoje sente saudade.

Eu parti.
Eu joguei a toalha
Guardei tudo numa gaveta que ainda está bagunçada até hoje...
Apesar disso, ainda te respondo de forma saudosa, carinhosa e gentil até.
Foi apenas isso que restou de nós, um carinho infinito pelas nossas eternas lembranças.
E uma saudade que eu não sei se um dia conseguirei dissipar...

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Ensaio sobre a despedida

Sugestão de trilha sonora: 
https://www.youtube.com/watch?v=mfRYpUi3Oxk
https://www.youtube.com/watch?v=ZxhxVGI16bQ


Uma lágrima de mar, pequenina escorre pelo rosto enquanto escrevo.

É o peso das lembranças, o peso de ter ido embora, é o peso de ter te deixado pra trás. Peso esse que, confesso, nem deveria existir, mas ainda está aqui, tomando conta de tudo que restou desde aquela última noite, onde você me entregou aquele presente de aniversário.

É claro que isso só vem porque estou revivendo os momentos que passamos juntos, escutando nossas músicas e lembrando de como o começo foi bem melhor que o final.

O plano era a gente morar na praia lembra? Morar do lado de minha mãe... poder conversar com ela sempre que me sentisse angustiada assim, ai meu amor, como as coisas mudaram...

Eu lembro até hoje de como éramos quando estudávamos juntos... eu com meu cabelão, a gente ouvindo Panic at the disco, como você era capaz de me entender apenas com um olhar ou uma respiração.

É estranho ainda pensar em como não nos conhecemos mais. Em não ter você aqui pra ligar e dizer "ei, pode me buscar no inglês?" e ver você lá, com seu carro vermelho, seu cigarro e o som alto, eram coisas que eu achava que gostava, porque no fundo, eu nem sabia o quanto você me controlava.

Você corria demais, tinha tanta pressa e até hoje não entendi o porque disso. Hoje já não faz diferença e não quero mais saber.

Esse seu jeito durão e a sua pressa até era legal no começo, eu adorava e agora me lembro de várias vezes em que ficamos conversando no carro, e em como a gente se dava bem, mas não era real, meu bem, nunca foi, hoje nós sabemos que aquela não era eu.
Ficávamos no carro porque você não queria me deixar ir para lugar nenhum, não queria que eu tivesse um lugar no mundo... e como demorei pra perceber isso.

Quando decidimos ficar juntos, depois de um tempo, a gente não se reconhecia mais. E hoje me pergunto se um dia nós realmente nos entendemos ou nos conhecemos bem ou se tudo isso foi mais uma das ilusões que toda essa bagunça me causou.

A gente só se divertia se tinha alguma outra coisa envolvida, não existia diversão a dois, somente eu e você, num abraço eterno, não! Sempre precisava de alguma coisa, fosse um lugar diferente para a gente comer, um filme diferente, ou então a mesma praça, as mesmas pessoas, o mesmo ambiente e sempre as mesmas coisas, como um looping infinito.

Até hoje, apesar de tanto tempo, nunca entendi se você me conhecia bem demais  ou me controlava o suficiente  para que eu sempre sentisse como se nunca te surpreendesse, sentisse sempre pouco pra você, insuficiente. Quando eu passei a perceber isso, automaticamente passamos a brigar incansavelmente.

A gente então não se entendia mais, o beijo não era mais o mesmo, a nossa vida não era mais a mesma... EU NÃO ERA MAIS A MESMA, não foi a gente que perdeu o fio ou erramos a medida, fui eu quem percebi o quanto não queria mais estar onde estava, sendo controlada feito uma marionete, sendo exatamente quem você queria que eu fosse e não mais eu.  O resultado disso foi a distância, o meu afastamento... você me deu medo, repulsa e eu segui outro rumo...

Hoje eu espero que você também tenha seguido outros rumos e tenha realizado seus objetivos. os que eram por você mesmo e não porque "eu queria que fosse de determinada forma".

No fundo eu espero que você esteja bem, e feliz e que um dia possa depositar todo seu amor em alguém que te entenda melhor, e que esse amor não seja doentio... e que esse alguém que não se sinta sufocado ou manipulado por você.



domingo, 18 de outubro de 2015

O encontro das marés

Mais de 12h se passaram, e confesso que está difícil (d)escrever.

Primeiro fico me perguntando porque depois de alguns anos passa a ser tão difícil escrever, parece que antes era insuportavelmente fácil descrever tudo em palavras e em canções compartilhadas, qualquer pedaço de papel era suficiente. Hoje sinto uma dificuldade imensa em tentar transcrever todas as coisas que gostaria que ficassem aqui, registradas para a posteridade, para de um jeito ou de outro (re)lembrar e sorrir de novo ou então perceber o quanto fiz papel de trouxa, mas ainda assim é incrível (re)ler tudo que já escrevi por aqui (e por tantos outros lugares). 

A verdade é que, por não ser exatamente como começar, estou enrolando. Obviamente não tinha imaginado esse post dessa forma, na minha cabeça ele era um tanto mais profundo e conceitual talvez. 

Vamos começar pelo começo, com poucas palavras.

Sábado, por volta das 19h40 - 20h.
O clima era ameno com garoa e vento frios (quase ouropretano).
Vestida como sempre, vestido florido e all star, cabelo levemente úmido.
Após um tempo de conversas na fila do show que se aproximava com gente linda finalmente entramos. O palco está próximo e a ansiedade toma conta.

Eram eles novamente, A banda mais bonita da cidade.
Apesar de não ser o primeiro show, a sensação era de que poderia ser.
Palco pronto, tudo certo, banda no palco.

Segunda música.
Maré Alta.

E bem, a melhor forma que eu tenho de tentar descrever isso é dizer que a minha Maré Alta de sexta, que eu tanto desejava, com todas as suas ondas contidas, chegou e foi um presente na voz de Uyara Torrente.
Ela derrubou tudo que estava aqui, tentando se prender de alguma forma, e ainda que por poucos minutos, apesar de me sentir afogando, ainda assim eu transbordei, afundei e depois finalmente consegui boiar.
Então, tudo que eu havia segurado até ali, escorreu mais uma vez pelos olhos e arrepiou o corpo todo.
Naquele momento, senti vontade de abraçá-la e agradecer eternamente por ter escrito essa música, e por escolher para aquela noite.

E o abraço veio, de alguém d'O bando.






sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Maré Alta

Não sei o que está acontecendo mana.

Eu to transbordando
Eu to naufragando

Algo muito grave está tentando escorrer pelos olhos, sair pelos poros e eu estou segurando, a cada onda que vem eu seguro até a maré baixar de novo... 

E quando a calmaria chega, ainda assim não me encontro.
E de novo, mais uma onda, mais um arrepio. 
Um sorriso de canto
Um lábio mordido
uma respiração ofegante, tentando ser normalizada, tentando disfarçar.

Toda uma estrutura que apesar de frágil e sensível, tenta se segurar.
Tenta, inutilmente fincar os pés feito raízes e não ser levado pela tempestade que se aproxima... 
E está cada vez mais próxima.

No fim do dia, ela vai chegar.
Nós sabemos que sim.
Bem na chamada "hora do rush".
Ela vem pra causar todos os "transtornos" que as populações das grande cidades odeiam.
Vem trazer a alegria de salvar outras populações da seca e do sol.
Vem para florescer a primavera em que estamos 
(apesar da própria primavera estar meio confusa e quente)

No fundo, eu queria essa tempestade bem agora
Bem no meio da tarde
Ela, a maré alta e tudo que consegue dissolver tudo que está tentando inutilmente se segurar
Fincar os pés feito raízes e não ser levado pela tempestade que se aproxima...

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Luiza

Espera, menina.
Espera que vem.

Não tenha pressa.
Deixe as portas e janelas abertas

pra quando o sol aparecer e te trazer a luz
pra quando a noite te trazer a escuridão necessária para o sono
e para a tempestade vir e transbordar.

Espera menina
Espera que vem.

Não tenha medo
Deixe a alma aberta também

pra quando o tempo chegar, você saiba como agir.
E não se arrependa de sorrir
E apenas aprenda:
Aceitar tudo que há de vir


sábado, 29 de agosto de 2015

Ensaio sobre a ausência

"Mas eu volto logo tá?"

"Eu sei. Sempre soube, e na verdade você não vai voltar, vai apenas vir, pra nossa vida. Afinal, você nunca foi de verdade, e eu, sinceramente espero que não nunca vá, pois se você estivesse verdadeiramente partido, isso que chamamos de "nós" jamais existiria."

Arrumar as malas tem outro significado desde que passou a existir "nós".

Toda vez que faço as malas para algum lugar imagino o dia que você irá passar alguns dias (meses) um tanto longe.

Mas ai eu lembro que o longe é relativo, porque você nunca sai daqui.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

das desistências da vida...

A chuva tecia um pano branco pela cidade, era a única coisa que conseguia fazer sumir os prédios que poluíam a janela do escritório.

O caminho entre a estação e o trabalho sempre é levemente amedrontador, mesmo que odeie sentir medo dessas pessoas que são como eu.

Entre as leituras e escritos do tcc eu arranjo um tempo para me distrair e lembrar das coisas de cinco anos atrás, é tão engraçado ver o quanto amadureci, o quanto coisas passaram.

E caraca, já estamos aqui, terminando o temido tcc, sem enlouquecer muito e sem nada muito atrasado.
Três anos e meio passaram voando ou a minha percepção de tempo mudou pra caralho...

Antes dos 20 eu escrevia mais.
não sei ao certo o motivo ou razão para tal, mas é um fato, e vocês nem imaginam quanto é difícil conviver com esse bloqueio que parece durar mais do que realmente deveria.

Agora no período de transição, quando se aproxima mais uma revolução solar eu penso em tantas coisas que preciso mudar e tantas outras que preciso trabalhar em mim e vejo o quanto esse ato de:

parar.
pensar.
escrever.

Coloca para fora tudo que não tem como ficar mais aqui dentro, ao mesmo tempo que materializa isso tudo.

O ato de postar
contando que pouco ou ninguém verá também é grande exercício de coragem.

Um dia já quis ser escritora.
E lembro desse dia com carinho e um pouco de saudade, enquanto me pergunto:
E aí? Desistiu?

E eu que pensei que não fosse mais desistir de nada... chego a pensar que jamais terei meu nome estampado em alguma estante.
Chego a pensar que escrevo coisas que ninguém quer ler.

Lenço e brincos.

Enquanto algumas pessoas morrem
Outras fazem aniversário
Outras ainda casam, trabalham
Vivem.

O jogo passa na tela do computador, numa sala cheia de pessoas e máquinas, o novo proletariado tecnológico, se gaba por não apertar parafuso, mas vive apertando pequenas teclinhas, sem sair do lugar, sem ao menos pensar no que fazem, e segue o jogo, enquanto ainda produzem, me são de grande utilidade.

A moça de lenço na cabeça e regata vermelha, tira os brincos para fazer as incontáveis ligações, sempre dizendo a mesma coisa, seguindo o mesmo protocolo, de forma maquinal.
Nem ela, no auge de toda sua lucidez (e coragem, porque não?), a questão é que nem ela mesma pensa mais... seu cérebro foi dissolvido em água fervente, e agora ela consegue somente repetir o que lhe é obrigado.